O que o elemento descreve
A Madeira não é uma matéria, é um movimento. O que esta palavra designa no Wu Xing chinês é a expansão: aquilo que cresce, procura a luz e ocupa espaço. Uma semente que germina não negoceia a sua passagem, afasta o que a incomoda. Toda a leitura da Madeira cabe neste gesto.
A sua estação é a primavera, a sua direção o Este. Estes dois pontos de referência não são decorativos: dizem o momento do ciclo em que a energia sai da reserva e se põe em marcha, e o ponto do horizonte de onde vem a luz da manhã. A Madeira é um começo, nunca uma conclusão.
O que traz a um mapa é da ordem do impulso. Onde a Madeira está presente há um projeto, uma direção, a vontade de ir na direção de algo que ainda não existe. A visão faz parte da sua matéria própria: a Madeira vê longe, por vezes mais longe do que aquilo que consegue realmente alcançar.
O seu reverso tem um nome preciso, a raiva. Um crescimento impedido não desaparece, volta-se contra si mesmo. A Madeira contrariada cresce na mesma, contra o obstáculo, e desse impulso bloqueado nasce a irritação. Não é um defeito de carácter, é a mesma energia que não encontrou para onde ir.
Um elemento não faz um mapa sozinho. Os oito caracteres de um BaZi misturam vários elementos, e é a sua relação de forças que conta, nunca um elemento isolado.
Os dois ciclos
Os cinco elementos não são cinco compartimentos separados. Estão presos em dois circuitos que os ligam a todos, e é a posição da Madeira nesses circuitos que dá a leitura concreta.
O primeiro é o ciclo de geração. A Madeira é gerada pela Água, que guarda a reserva: sem reserva, nada cresce. Por sua vez gera o Fogo, pois é ela que alimenta a chama. Num mapa, isto significa que a Água nutre a Madeira e que a Madeira se gasta pelo Fogo. Um elemento que gera dá alguma coisa, não a guarda.
O segundo é o ciclo de controlo. A Madeira controla a Terra: a raiz fura o solo, instala-se nele e trabalha-o. A própria Madeira é controlada pelo Metal, que poda e trava o crescimento.
Controlar não é destruir. O ciclo de controlo é uma regulação: impede um elemento de ocupar todo o espaço. Uma Madeira sem Metal cresce sem forma e parte em todas as direções; uma Madeira esmagada de Metal deixa de crescer por completo. Perante um mapa, a pergunta útil nunca é saber qual o elemento mais forte, mas o que segura o quê.
Os seus troncos e os seus ramos
Cada elemento aparece num mapa sob duas formas: os troncos celestes, que o exprimem diretamente, e os ramos terrestres, que o transportam sob o nome de um animal.
A Madeira tem dois troncos. Jia é a Madeira Yang, Yi é a Madeira Yin. São dois regimes do mesmo movimento, não duas forças diferentes: a mesma expansão, uma vez direita e uma vez flexível.
Tem dois ramos. O ramo Yin é o Tigre, o ramo Mao é o Coelho. Atenção ao nome do primeiro: o ramo Yin escreve-se com um carácter chinês que nada tem em comum com a fase Yin. Duas palavras distintas, uma única romanização, e nenhuma dedução possível de uma para a outra.
Um mapa pode, portanto, ter muita Madeira sem que nenhum animal de ano o anuncie. A parte de Madeira conta-se sobre os oito caracteres, não sobre o signo de nascimento.
Quando domina, quando falta
Um mapa onde a Madeira domina avança. Os projetos encadeiam-se, a direção é clara, a vontade precede muitas vezes os meios. O risco não é a falta de impulso mas o seu excesso: coisas a mais começadas, poucas terminadas, e uma irritação que sobe assim que o movimento é travado. Uma Madeira abundante ganha em encontrar Metal que a pode e Fogo que gaste o que ela produz.
Um mapa onde a Madeira falta segura mal um rumo. Arrancar custa, a visão fica curta, prefere-se arranjar o que já existe a abrir algo novo. Não é uma incapacidade: é um impulso que tem de vir de outro lado, da Água que o alimenta ou de um contexto que o chame.
Estes dois retratos são tendências, não veredictos. Nenhum elemento é bom ou mau em si, e uma mesma Madeira lê-se de outra maneira consoante o que a rodeia nos oito caracteres.
Palavras-chave
- crescimento
- impulso
- projeto
- raiva
- visão