Significado
O Buquê é a carta 9 do Petit Lenormand, e a sua palavra cabe em pouca coisa: o que é oferecido. Um presente, um convite, uma atenção que vem de outra pessoa e que agrada.
Certos baralhos a chamam de As Flores, o que diz o mesmo de outro jeito, e é assim que ela aparece em boa parte das edições brasileiras de baralho cigano. Nos baralhos da linhagem Dondorf, por volta de 1890, a imagem mostra um buquê composto, arranjado, muitas vezes pousado num vaso ou estendido à mão. O detalhe esclarece o sentido: essas flores foram cortadas e dispostas. Elas não crescem sozinhas, foram escolhidas para serem dadas. O Buquê nunca fala, portanto, do que vem naturalmente, mas do que alguém decidiu estender até você.
Três registros dividem essa palavra. O primeiro é o presente em sentido estrito: um objeto, uma quantia, um favor prestado sem contrapartida pedida. O segundo é o convite: você é chamado, você é incluído, uma porta se abre do lado social. O terceiro é a beleza: o que embeleza, o que agrada ao olho, o cuidado dedicado à forma e à aparência.
O Lenormand é literal, e esta carta é literal em especial. Ela não é uma imagem para meditar, é uma palavra dentro de uma frase, e essa palavra significa oferecer, alegrar, embelezar. Não se deve pedir a ela mais do que ela diz: não precisa nem o valor do gesto, nem o seu autor, nem as suas consequências.
Uma última nuance, e esta pesa. O Buquê é uma carta leve. Numa tiragem tensa, ele suaviza sem resolver: nomeia um prazer, não uma saída. Colocado ao lado de uma carta pesada, ele não a anula, apenas indica que um gesto agradável acontece no mesmo contexto.
Carta de baralho e leitura tradicional
O Buquê carrega o encarte da Dama de Espadas. Essa correspondência vem do baralho de piquet de trinta e seis cartas que duplicava o Petit Lenormand na origem.
É um bom exemplo do que não se deve adivinhar: nem o nome da carta nem a sua imagem deixam supor esse naipe. Na escola alemã, o naipe de Espadas orienta para o registro exigente, o que pede esforço ou encontra resistência. O encarte não inverte a palavra da carta, ele a matiza: um presente também compromete quem o recebe, e acontece de servir para obter alguma coisa.
Algumas edições modernas, em especial os baralhos de artistas contemporâneos, não imprimem esse encarte. A correspondência continua válida para a leitura, ela está apenas ausente da imagem.
Combinações essenciais
O Lenormand se lê em pares, e a gramática é fixa: a primeira carta é o substantivo, a segunda o qualificativo. O Buquê seguido de A Carta e A Carta seguida do Buquê não dizem a mesma coisa. No primeiro caso, o que é oferecido toma a forma de um escrito. No segundo, o escrito traz algo agradável.
| Combinação | Leitura |
|---|---|
| O Buquê + O Coração | Uma declaração, um gesto amoroso oferecido |
| O Buquê + A Carta | Um convite escrito, uma boa notícia no papel |
| O Buquê + O Jardim | Uma festa, uma recepção, uma celebração coletiva |
| O Buquê + O Anel | Um pedido, uma promessa oferecida |
| O Buquê + A Mulher | Uma mulher generosa, uma presença feminina acolhedora |
A mecânica completa dos pares está detalhada em a leitura por combinações.
Posição no Grand Tableau
A posição 9 de um Grand Tableau é a casa do Buquê: o que é oferecido, o que alegra.
A carta que se instala ali indica a natureza do gesto e o domínio de onde ele vem. Os Peixes na casa do Buquê apontam para um presente que se conta, A Carta para um convite que chega por escrito, As Nuvens para uma atenção cuja intenção permanece nebulosa. Quando O Buquê ocupa a sua própria casa, a palavra dele se reforça: o gesto é nítido e se vê.
A tabela das trinta e seis casas e os três formatos de tabuleiro estão detalhados na página do Grand Tableau.
Palavras-chave
| Registro | Palavras |
|---|---|
| Sentido central | O que é oferecido e agrada |
| Gesto | Presente, mimo, atenção, generosidade |
| Social | Convite, convívio, marca de estima |
| Forma | Beleza, o que embeleza, cuidado com a aparência |